Paredes Inseguras

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As paredes são úteis, mantendo-nos seguros e confortáveis, ao mesmo tempo que proporcionam privacidade e proteção — bem como espaço para pendurar quadros. Mas nem todas as muralhas são fiáveis, por mais imponentes ou engenhosamente construídas que sejam.

Existem muitas muralhas famosas na história. A Grande Muralha da China, a maior muralha construída pelo homem, é considerada uma das maravilhas do mundo — mas falhou em deter os invasores em diversas ocasiões. As Muralhas da Babilónia eram impressionantes e figuravam entre as obras mais poderosas da antiguidade — mas a Porta de Ishtar, que dava acesso à cidade interior da Babilónia, são agora apenas ruínas, com uma reconstrução parcial com recurso aos materiais originais, que se encontra atualmente no Museu Pergamon, em Berlim. As muralhas da Babilónia caíram e a cidade foi conquistada por Ciro, o Grande, em 539 a.C. As muralhas da antiga Tróia foram rompidas através de ataques furtivos, e a Muralha de Adriano, construída pelos Romanos como defesa contra a Escócia, foi abandonada. Partes remanescentes são ainda uma atração turística.

Uma das “muralhas” mais infames, a Linha Maginot, foi construída pela França contra as forças Alemãs na Segunda Guerra Mundial — uma barricada de aço, armas, betão e soldados, determinada a travar as forças de Hitler. Mas, com uma eficiência implacável, o exército Alemão contornou-a, comprovando a afirmação do General George S. Patton de que “as fortalezas fixas são um monumento à estupidez humana”.

O Muro de Berlim, construído durante a Guerra Fria, dividiu a Alemanha Oriental e Ocidental com a intenção de impedir que os berlinenses orientais escapassem para o Ocidente. Foi transposta inúmeras vezes e caiu completamente em menos de trinta anos.

Hoje, muitos Americanos querem um muro para proteger a fronteira entre o México e os Estados Unidos da imigração ilegal, uma questão controversa que tem desempenhado um papel importante em várias eleições recentes. Os defensores citam a Constituição dos EUA, que exige que o governo proteja todos os estados contra invasões, mas outros argumentam que construir um muro é caro e só pode defender uma pequena parte da fronteira dos EUA, e muitos acreditam que seria “exclusivo” ou discriminatório. Sem dúvida, muitos de ambos os lados percebem que os migrantes determinados ainda tentarão romper o muro ou entrar por outros lugares. As nações da Europa, África e Médio Oriente enfrentam situações semelhantes, e os governos do Reino Unido e da União Europeia lidam com debates políticos e preocupações públicas.

Na Bíblia, os muros têm tendência a ruir. Os muros de Tiro foram completamente destruídos, e a cidade foi “raspada como a rocha” (Ezequiel 26:4-5, 14). Os muros de Jericó desmoronaram-se (Josué 6:20; Hebreus 11:30). Os muros de Jerusalém caíram mais do que uma vez, embora o Muro das Lamentações, na Cidade Velha de Jerusalém, se mantenha até aos dias de hoje.

De facto, os muros construídos pelo homem parecem trazer uma falsa sensação de segurança, o que serve de aviso, que as Escrituras utilizam com grande efeito. Deuteronómio 28 regista bênçãos para a obediência e maldições para a desobediência. Uma das maldições é que Deus enviará outra nação para conquistar a nação desobediente. “Eles te cercarão por todas as tuas portas, até que os teus altos e fortificados muros, nos quais confias, sejam derrubados” (v. 52). Ezequiel profetizou contra os falsos profetas que rebocam “um muro com argamassa sem têmpera” e clamam “Paz!” quando não há paz. Deus declara que o seu muro cairá por causa do vento, do granizo e da chuva torrencial (Ezequiel 13:10-11). Só um “muro” é fiável: o muro de proteção do Deus Todo-Poderoso.

Considere Asa, rei de Judá, como exemplo. Por ter obedecido e procurado a Deus, Asa construiu muros à volta das cidades de Judá, mas foi o Senhor que lhes deu “descanso por todos os lados” (2 Crónicas 14:7). Muitas passagens Bíblicas falam da proteção de Deus para aqueles que O amam e Lhe obedecem. Para eles, Ele é um guarda, uma fortaleza e um baluarte contra todos os inimigos — algo que será extremamente necessário nos tempos vindouros.

A Bíblia profetiza um tempo de destruição sem precedentes, após o qual Cristo regressará e a humanidade finalmente se renderá, se arrependerá e Lhe obedecerá. No guia de estudo "Armagedom e Além", da publicação do Mundo De Amanhã, o falecido evangelista Richard F. Ames escreveu: “Vocês precisam observar os acontecimentos mundiais em relação às profecias Bíblicas. E precisam orar para que possam estar diante de Cristo na Sua vinda. Deus dá-nos uma escolha: ‘Hoje invoco o céu e a terra como testemunhas contra vós, de que coloquei diante de vós a vida e a morte, a bênção e a maldição. Escolham, pois, a vida, para que vós e os vossos descendentes vivam’ (Deuteronómio 30:19)” (p. 43).

Quando Cristo regressar, as ruínas serão reconstruídas e Jerusalém, agora uma cidade amuralhada, será então “habitada como cidades sem muros”, porque o próprio Senhor “será um muro de fogo à sua volta” (Zacarias 2:4-5). Mais tarde, a Nova Jerusalém descerá do céu tendo “um grande e alto muro” (Apocalipse 21:12), mas as suas portas não serão fechadas (v. 25) e nada a contaminará (v. 27).