Jesus: Verdade ou Ficção?

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Em 2022, várias organizações religiosas sediadas no Reino Unido divulgaram os resultados de um inquérito realizado a Britânicos de diferentes crenças e origens religiosas. As conclusões foram reveladoras: quase metade da população do Reino Unido não tinha a certeza se Jesus de Nazaré era uma pessoa real, com 28% a considerá-lo “uma personagem mítica ou fictícia” (“Talking Jesus Report 2022”, TalkingJesus.org).

Será que têm razão em ser céticos? Será que um homem assim existiu realmente?

Para responder a esta questão, examinaremos as fontes para verificar se corroboram os detalhes descritos na Bíblia. Em seguida, tendo estabelecido que a Bíblia é uma fonte fidedigna sobre o assunto, podemos examinar mais a fundo o que ela tem para dizer.

Então, que provas extrabíblicas existem de que Jesus foi real?

Será Que Ele Andou?

Para além das Escrituras, dois documentos antigos fornecem-nos fortes evidências em apoio desta ideia. O primeiro provém dos escritos de um indivíduo considerado um dos maiores historiadores de Roma — Tácito, cuja última obra, Anais, foi escrita por volta de 116-117 d.C. Robert Van Voorst, na sua obra de 2000, Jesus Fora do Novo Testamento, traduz uma parte do texto de Tácito sobre o Grande Incêndio de Roma: “Nero substituiu os culpados e puniu de maneiras incomuns aqueles odiados pelos seus atos vergonhosos… a quem a multidão chamava de ‘Cristãos’. O fundador deste nome, Cristo, fora executado no reinado de Tibério pelo procurador Pôncio Pilatos… Suprimida durante algum tempo, a superstição mortal irrompeu de novo não só na Judeia, origem deste mal, mas também na cidade [Roma]” (pp. 42-43).

Escrevendo aproximadamente 85 anos após a morte de Cristo, Tácito não era Cristão, e a sua menção a Cristo não era de forma alguma uma tentativa de legitimar uma figura mítica. Não há razão para duvidar que Tácito via Jesus como uma figura literal que tinha sido Crucificado. Se isto fosse uma invenção ou o resultado de rumores, haveria muitas vozes discordantes na época.

Escrevendo numa data ainda anterior, por volta de 93 d.C., o historiador Judeu Flávio Josefo fala também de Jesus como uma pessoa cuja existência é inquestionável. O Dr. Simon Gatherkol, da Universidade de Cambridge, descreve as duas referências de Josefo a Jesus: “Uma delas é controversa porque se acredita que foi corrompida por escribas Cristãos (provavelmente transformando o relato negativo de Josefo num mais positivo), mas a outra não é suspeita — uma referência a Tiago, irmão de ‘Jesus, o chamado Cristo’” (“Qual é a evidência histórica de que Jesus Cristo viveu e morreu?”, The Guardian, 14 de Abril de 2017). Referir-se a Cristo em linguagem não crente está de acordo com a forma como um historiador Judeu do primeiro século veria Jesus: como uma pessoa real cujas alegações messiânicas não eram aceites por todos.

E quanto aos estudiosos de hoje? Estão convencidos de que Jesus foi real?

O Live Science e a National Geographic são fontes respeitadas que ninguém acusaria de terem lealdades mistas — não são, nem afirmam ser, publicações Cristãs. No entanto, um artigo publicado pelo Live Science fez uma afirmação forte: “A maioria dos historiadores teológicos, Cristãos e não Cristãos, acredita que Jesus realmente caminhou sobre a Terra” (“Prova de Jesus Cristo? 7 Evidências Debatidas”, 8 de Julho de 2013).

A afirmação feita na National Geographic é ainda mais forte: “'Não conheço nenhum académico de renome que duvide da historicidade de Jesus', disse Eric Myers, arqueólogo e professor emérito de Estudos Judaicos e Arqueologia na Universidade de Duke. 'Os detalhes têm sido debatidos durante séculos, mas ninguém que leve isto a sério duvida que Ele seja uma figura histórica'” (“O que a arqueologia nos está a dizer sobre o Jesus real”, Dezembro de 2017).

Jesus foi real. Mas o Cristianismo não se baseia simplesmente no facto de Jesus ter existido. Fundamenta-se no ensinamento de que Ele era o Filho de Deus, que ressuscitou dos mortos.

Ele Ressuscitou?

Escrevendo à congregação de Corinto, o Apóstolo Paulo enfatiza a ressurreição de Jesus como a doutrina definidora do Cristianismo: “Se Cristo não ressuscitou, a nossa pregação é vã, e a fé que tendes também é vã. Além disso, somos considerados falsas testemunhas de Deus... E, se Cristo não ressuscitou, a fé que tendes é inútil” (I Coríntios 15:14-17). A Bíblia deixa as consequências muito claras.

Examinemos três provas de que Cristo ressuscitou dos mortos. Ao fazê-lo, analisaremos alguns pormenores menores do relato bíblico da Sua ressurreição, questionando se seria fácil refutá-los caso se tratasse de um ato de engano por parte dos Apóstolos.

A primeira prova de que Cristo ressuscitou dos mortos é que o Seu túmulo estava vazio. O evangelho de Mateus regista um pormenor interessante sobre a forma como os inimigos de Cristo reagiram à possibilidade da Sua ressurreição: “Quando se reuniram com os anciãos e deliberaram, deram uma grande quantia de dinheiro aos soldados, dizendo: ‘Digam-lhes: Os discípulos dele vieram de noite e roubaram o corpo enquanto dormíamos.’... Então eles aceitaram o dinheiro e fizeram como lhes foi ordenado; e este relato é comum entre os Judeus até hoje” (Mateus 28:12-15).

O evangelho de Mateus estaria disponível para aqueles que viviam em Jerusalém. A sua afirmação não é apenas que o túmulo estava vazio, mas que ainda circulavam diferentes teorias sobre o motivo de estar vazio. Se este relato não fosse bem conhecido na época, os leitores originais do evangelho de Mateus tê-lo-iam rejeitado imediatamente. Embora possam ter debatido a causa do túmulo vazio, não há dúvida de que o túmulo onde o corpo de Cristo foi depositado foi encontrado vazio três dias depois.

A segunda prova de que Cristo ressuscitou dos mortos é que houve centenas de testemunhas oculares. Paulo escreveu a sua primeira epístola aos Coríntios, no espaço de 25 anos após a morte de Cristo. Corinto era um centro comercial com fortes ligações a outras cidades em redor do Mediterrâneo — as viagens entre Jerusalém e Corinto eram rotineiras. Quando Paulo escreveu a sua epístola, as pessoas que se encontravam em Jerusalém na altura da morte de Cristo ainda estavam disponíveis para confirmar a história.

Paulo diz-nos que “Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras… Depois disso, apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma só vez, dos quais a maioria ainda vive, embora alguns já tenham falecido” (1 Coríntios 15:3-6). Por outras palavras, Paulo disse aos seus leitores que pelo menos 251 testemunhas oculares ainda estavam vivas após a crucificação de Cristo. Se isto fosse mentira, seria fácil para os seus leitores rejeitarem a informação — mas não o fizeram.

Alguns tentaram argumentar que, passados ​​25 anos, as memórias destas testemunhas estavam falhadas. Mas o que descobriríamos se entrevistássemos as testemunhas oculares dos ataques ao World Trade Center, no dia 11 de Setembro de 2001? Alguns detalhes menores poderiam tornar-se vagos nas suas mentes, mas a verdade fundamental dos ataques permaneceria consistente — nenhuma das testemunhas oculares afirmaria que as torres nunca caíram. Com mais de 250 pessoas a afirmarem ter visto alguém que acabara de ser crucificado a passear dias depois, precisará de uma razão melhor do que "as memórias são traiçoeiras" para as ignorar.

Outros afirmam que todas as alegadas testemunhas estiveram envolvidas na farsa — que a morte de Cristo as levou a engendrar um grande engano para chamar a atenção das massas. Mas uma terceira evidência impressionante é que as testemunhas oculares estavam dispostas a morrer por esta crença. Se Cristo não tivesse ressuscitado dos mortos, não haveria prova da ressurreição — portanto, o conceito de vida após a morte não teria sido motivação para o engano — contudo, a história diz-nos que quase todos os Apóstolos morreram como mártires por aquilo em que acreditavam. Afirmavam ter passado um tempo significativo com Cristo ressuscitado. Como poderiam todos manter-se tão firmes, sabendo que a sua história era uma farsa? Tal ideia não resiste ao escrutínio.

Há muitas outras provas que poderíamos apontar, mas mesmo com base apenas nestas três, podemos ter a certeza de que Cristo ressuscitou. Jesus não foi apenas real — Ele é real.

Será Que Nos Preocupamos?

Mas será que estes factos mudam alguma coisa no nosso dia a dia? Aceitar que Jesus desempenhou um papel significativo na história da humanidade é uma coisa — viver como se as Suas afirmações e as Suas promessas fossem verdadeiras é outra.

O que significa acreditar n’Ele? Será que basta acreditar que Ele existe? Não, de acordo com a epístola de Tiago: “Crês que há um só Deus? Muito bem! Até os demónios crêem — e tremem” (Tiago 2:19).

Até os demónios acreditam que Ele existe — mas isso não é propriamente um ponto a seu favor. Então, o que falta na crença deles? Simplesmente não seguem o que Ele ensina. Tiago utiliza o exemplo de Abraão para ilustrar o que é uma crença verdadeira e sincera: “Não foi Abraão, nosso pai, justificado pelas obras, quando ofereceu o seu filho Isaac sobre o altar? Vejam que a fé cooperou com as suas obras, e que pelas obras a fé foi aperfeiçoada? E cumpriu-se a Escritura que diz: ‘Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça’” (Tiago 2:21-23).

Ora, as Escrituras deixam bem claro que não podemos conquistar a salvação pelos nossos próprios méritos. Não há nada que eu e tu possamos fazer para superar a pena dos nossos pecados passados. O perdão e a redenção só vêm através do sacrifício de Jesus Cristo.

No entanto, o exemplo de Abraão mostra que a verdadeira crença resulta em ação. Se dissermos que acreditamos que Deus inspirou a Bíblia, mas depois descartarmos o que ela diz, podemos realmente dizer que acreditamos n’Ele? Cristo advertiu que haveria aqueles que, embora professassem o seu nome, não chegariam a crer verdadeiramente n’Ele. “Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos Céus”, disse Ele, “mas apenas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos Céus” (Mateus 7:21).

Jesus é muito claro: não basta declararmos a nossa crença n’Ele.

Embora a maioria concorde superficialmente que devemos seguir o exemplo de Cristo, muitos acreditam que Ele cumpriu a lei de Deus, pelo que já não teríamos de o fazer. O Apóstolo João abordou este erro claramente: “Aquele que diz: ‘Eu o conheço’, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e a verdade não está nele. Mas aquele que guarda a sua palavra, nele verdadeiramente o amor de Deus está aperfeiçoado. Nisto conhecemos que estamos nele. Aquele que afirma permanecer nele deve também andar como ele andou” (1 João 2:4-6).

Cristo espera que sigamos os Seus passos, aderindo aos mesmos mandamentos pelos quais Ele viveu e que Ele prezava. Acreditar verdadeiramente n’Ele é reconhecer que Ele distingue o certo do errado melhor do que nós — e que devemos seguir o Seu exemplo para saber como conduzir a nossa vida. Pode descobrir mais sobre como viver como o verdadeiro Jesus viveu, solicitando o nosso recurso gratuito, Os Dez Mandamentos, no escritório regional mais próximo, listado na página 4 desta revista, ou lendo-o online em OMundoDeAmanha.org.