Graciosidade: Não Saia De Casa Sem Ela

Comentário sobre este artigo

Na sua essência, a graciosidade é um eco do carácter divino. Quando Jesus iniciou o Seu ministério, não só declarou “o evangelho do reino de Deus” (Marcos 1:14-15), como também modelou uma forma de falar que desarmava a hostilidade e extraía o melhor das pessoas (João 8:1-11). Escolheu palavras não de desprezo, mas de verdade e compaixão. Esta mesma mistura de honestidade e respeito é a essência da verdadeira graciosidade.

Ser gracioso requer autocontrolo, um fruto do Espírito Santo de Deus (Gálatas 5:22-23). Quando reconhecemos cada pessoa como feita à imagem de Deus, somos mais propensos a refletir a paciência do Pai e do Filho, ambos prontos a demonstrar a mesma misericórdia bondosa por nós. A paciência genuína é uma expressão tangível de características que prevalecerão no Reino de Deus. Podemos permitir que isto opere em nós hoje, como uma antevisão da harmonia que encherá a Terra sob o reinado de Cristo.

Tudo isto vai além das boas maneiras. Somos chamados a ser “bons e compassivos uns para com os outros, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo” (Efésios 4:32). O perdão de Cristo é um dom profundo — não uma licença para atropelar a lei de Deus (Romanos 6:1-2), mas algo a ser partilhado com todos. No Sermão da Montanha, Jesus elevou o nível: “Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; e quem matar estará sujeito a juízo. Eu, porém, vos digo que todo aquele que se irar contra seu irmão sem motivo estará sujeito a juízo” (Mateus 5:21-22). As palavras têm poder. Podem edificar pedras vivas (1 Pedro 2:5), ou podem destruir relacionamentos e ser uma pedra de tropeço (Provérbios 14:1; 1 Coríntios 8:9).

A história mostra-nos o custo quando a graciosidade desaparece. A Bíblia adverte que, no fim dos tempos, a verdade de Deus será comprometida e muitos se ofenderão (Mateus 24:10). Numa era carregada de raiva e desprezo, muitos refugiam-se em câmaras de eco de indignação. Os cristãos, porém, são chamados a falar e a agir com cortesia, como uma luz que brilha nas trevas.

A verdadeira graciosidade está enraizada na convicção, não na conveniência. Ela diz: Eu valorizo-te demais para te desonrar, mesmo quando te opões a mim. Parece a paciência do próprio Cristo com a mulher apanhada em pecado e parece a Sua bondade para com as crianças — uma atitude que o nosso Salvador descreveu como essencial para qualquer pessoa que entre no Reino de Deus (Lucas 18:16-17). Praticamos isto não nos escondendo para evitar conflitos, mas honrando os outros ao falar a verdade em amor (Efésios 4:15).

Numa era de sarcasmo e indignação performativa, a bondade é uma característica contracultural. Faz parte de ser a luz que Jesus ensinou. Quando respondemos à raiva com calma e cortesia, interrompemos o ciclo de desprezo (Provérbios 15:1). Isto demonstra abertamente uma lealdade ao Reino de Cristo e à Sua justiça — e não à aprovação passageira da multidão.

Em casa, isto pode começar à mesa de jantar em família. À medida que pais e filhos aprendem a partilhar problemas sinceros com paciência, criam um terreno fértil para o crescimento da confiança e da resiliência. Em público, no trabalho, na fila do supermercado, nas redes sociais — onde quer que estejamos, a graciosidade significa fazer uma pausa antes de falar, escrever ou publicar (Tiago 1:19). Significa escolher a inquirição em vez do insulto, o respeito em vez do ridículo e a contemplação em vez da queixa.

Hoje, decidamos praticar a graciosidade em vez da irritação, o carácter em vez da crítica, refletindo o próprio caráter do nosso Criador. Dediquemos à nossa família e ao nosso próximo a consideração que se está a tornar cada vez menos comum. Quando as nossas palavras e ações têm a marca de Cristo, transformamos momentos comuns em atos de edificação do Reino. Ao fazê-lo, somos pioneiros de uma revolução silenciosa, conduzindo-nos como embaixadores do futuro reino de Cristo — onde a verdadeira graciosidade não será extraordinária, mas simplesmente o modo de vida que flui dos corações transformados pela efusão da graciosidade e do amor de Deus.

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